ALA FEMININA DA CJG


ALA FEMININA DA CASA DE JUVENAL GALENO


                 






Foi nos idos de 1936, que a insigne beletrista Henriqueta Galeno, "a Joana d'Arc das letras e das artes no Ceará" (assim a definia o Dr. Mariano Martins)criou no "Templo Sagrado" -a Casa Iluminada do Poeta Juvenal Galeno -a "Falange Feminina . Guardiã do "Templo", essa extraordinária "sacerdotisa" resolveu romper as barreiras e os grilhões que, naquela época, encarceravam o "pensamento feminino", sufocando os eflúvios d'alma impossibilitando o registro da emoção.
Numa carta pessoal ao saudoso jornalista Demócrito Rocha, Henriqueta manifestou sua indignação ante as diferenças, ao revelar: "Basta o fato de pertencer eu ao sexo feminino num país aínda em formação, aferrando a antanhos, caducos e estreitíssimos preconceitos quanto ao papel da mulher na vida familiar e social. "
O jugo a que estavam fadadas as artífices das letras chegava ao ápice da ignorância, impedindo-as de assinarem seus próprios artigos literários recorriam a  pseudônimos masculinos.
A "Falange Feminina" veio, então, desafiar a oposição e a rudeza da época. "Criada nos moldes de  uma Academia de Letras, com quarenta patronas e seus respectivos membros, objetivava a congregação da intelectualidade feminina, artistas do Ceará, e a divulgação de suas obras.
Não funcionou "a contento", de imediato, pois as senhoras se reuniam, apenas, em festas e solenidades extraordinárias da Casa. Por se tratar de um audacioso e inédito empreendimento, a adesão feminina foi gradativa.
Em 1942, um novo alento revitalizou a semente literária e "as falangistas", organizando-se em definitivo, numa reunião dominical do dia 8 de novembro, aprovaram o nome "Ala Feminina" que passava a ser um departamento da Casa Iluminada do poeta Juvenal Galeno.
Um Estatuto foi elaborado sendo a diretoria eleita a cada dois anos.
As primeiras componentes, acrescentente-se aqui, as sócias fundadoras foram: Henriqueta Galeno, Júlia Galeno, Cândida Maria Santiago Galeno(Nenzinha Galeno), Vanda Rita Othon Sidou, Eurídice de Sales Pereira, Aglaeda Facó, Lireda Facó, Maria Stela Correia Barbosa, Olívia Sampaio Xavier Rodrigues, Augusta Campos; Heloneida Studart Soares; Suzana Amaral, Geraldina Amaral; Maria de Lourdes Gondim; Fernanda Brito dentre outras.
Oficialmente as primeiras escritoras a assumirem Cadeiras foram:
CADEIRA Nº 1
PATRONA: Francisca Júlia da Silva
TITULAR: Ligia Soares Bulcão de Vasconcelos
RELATOR: Filgueiras Lima -Fortaleza, 27/8/43



CADEIRA Nº 2
PATRONA: Branca Bilhar
TITULAR: Maria de Lourdes Hermes Gondim
RELATOR: Parsifal Barroso -Fortaleza, 2/9/19



CADEIRA Nº 3
PATRONA: Princesa Isabel
TITULAR: Susana Barreira Amaral
RELATOR: Hugo Catunda -Fortaleza, 28/7/1946



CADEIRA Nº 4
PATRONA: Bárbara Heliodora
TITULAR: Olga de Lacerda Pinheiro Montenegro
RELATOR: Dolor Barreira -Fortaleza, 18/4/1947



CADEIRA Nº 5
PATRONA: Nizia Floresta 
TITULAR: Fernanda Brito
RELATOR: Hugo Vito -Fortaleza, 30/5/1948



CADEIRA Nº 6
PATRONA: Ana Facó
TITULAR: Maria Geraldina Alves do Amaral
RELATOR: Boanerges Fac6 -Fortaleza, 23/12/1947



CADEIRA Nº 7
PATRONA: Ana Neri
TITULAR: Anna Frota Mendes que é a mesma Quininha Frota;
RELATOR: Dr. Jurandir Picanço -Fortaleza, 3/9/1948



As patronas são sempre ilustres mulheres brasileiras, heroínas, escritoras, educadoras e têm seus perfis traçados pelas candidatas eleitas pelo colegiada acadêmico.
É o que denominamos: Elogio à Patrona.


No ano de 1943, precisamente em 29 de agosto, as senhoras beletristas passaram a dispor de uma página semanal no Jornal O Estado, a secção domingueira -Jornal do Lar -para publicação de seus trabalhos literários e o noticiário da agremiação. "Veicularam seus pensamentos e suas idéias, fizeram soar o "toque de reunir" para arregimentação de novos elementos femininos, não só no Ceará, como nos demais Estados do Brasil."
Em dezembro de 1949, a saudosa Cândida Santiago Galeno, a nossa Nenzinha Galeno, sobrinha de Henriqueta, traz a lume a Revista Jangada, com a finalidade precípua de divulgar e promover a literatura feminina e citando a acadêmica Geraldina Amaral, também jornalista e uma de suas fundadoras: " A Jangada foi a primeira revista literária essencialmente feminina do país" e acrescenta ainda: "a Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno e sua revista se reúnem e se completam e trabalham juntas, como criadora e criatura, no sentido de abrirem caminhos cearenses das letras, ciências e artes para a consecução de mais um período produtivo."
Mas a Revista Jangada, como qualquer outro empreendimento, sofreu crises existenciais, as de origem financeira, e ancorou por vinte e seis anos nos "alvos areais das praias de Alencar."
Em 1972, a Ala Feminina com o apoio de Nenzinha Galeno, escolhia um nome para o Jomal Mensal: "O Cearense" dentre outros títulos, mas sua existência foi efêmera.
Um outro jornal surgiu de nome " ALA", pelos anos de 1984, 1985, mas também de pouca duração.
Em 1989, a então diretoria da ALA com o aval de Nenzinha Galeno, na época, Diretora da Casa de Juvenal Galeno, acresceu o número de Cadeiras do Quadro Acadêmico, passando de 40 para 60.
No auspicioso ano de 1994, a Jangada retorna -'"aos "verdes mares" de nossa terra, altaneira, intemerata aos acidentes de percurso, impelida por ventos alvissareiros, sob a orientação da escritora Raimunda Neide Moreira Freire, a então Presidente da Ala Feminina. Toda a diretoria, uníssona, clamava por tempos promissores, empunhando a bandeira do otimismo na realização de seus desideratos. E a Jangada prosseguiu com as viagens de "além-mar", divulgando o potencial literário, dignificante da mulher cearense.
Contamos com um Conselho Editorial comprometido com o "fazer literário" de qualidade,trazendo nomes como o de Giselda Medeiros, Leda Costa Lima. Geraldina Amaral, sob o respaldo valoroso da diretoria, que tem à frente, a escritora Matusahila de Sousa Santiago, acrescentando ainda, os esforços empreendidos pelo colegiado acadêmico, e pela  corrente fraterna e solidária de escritores outros - colaboradores e assinantes.
Foram presidentes da Ala Feminina, além de sua fundadora, Henriqueta Galeno, as escritoras, a citar: Cândida Maria Santiago Galeno (Nenzinha Galeno ); Jandira Carvalho; Euridice de Sales Pereira; Naír Fontenele Sampaío Xavier; Lígia Bulcão de Vasconcelos; Olga de Lacerda Pinheiro; Maria de Lourdes Vasconcelos Pinto; Maria de Lourdes Araújo; Risette Cabral Fernandes; Gisela Paschen Schimmelpfeng; Raímunda Neide Moreira Freire, Maria Hilma Correia Montenegro e atualmente,Matusahila de Sousa Santiago.
Uma das obrigações estatutárias da Ala Feminina, desde a sua fundação, é o "Elogio às Patronas". para ocupação de uma Cadeira, o que viabiliza o ingresso da sócia no Quadro Acadêmico da Entidade.



Os Ensaios biográficos, após aprovação, são publicados em forma de Antologia, cuja denominação é a de Mulheres do BrasiI , atualmente no sexto volume, lançado na administração de Matusahila de Sousa Santiago.
Uma outra publicação, nos moldes de uma Antologia, é o "Livro da Ala", hoje, no segundo volume, também lançado na administração de Matusahila de Sousa Santiago.
Em 1984, a escritora Maryse Weyne Cunha foi a autora da letra e da música do Hino da Ala Feminina, com arranjo de Francisco Jardilino Maciel.
Ao longo de todos esses anos, a nossa ALA FEMININA permanece atuante, congregando acadêmicas, amantes das letras e das artes, artífices do "belo " ao realçar os ditames do coração.
Setenta e cinco primaveras aureolam a existência desse Roseiral Literário, que sempre estará florescente com o desabrochar de novas rosas, exalando a fragrância do amor e da ternura, ínvólucros da alma feminina.
Hosana, pois, ao 27 de setembro de 2011



RECORTES DO PASSADO
" ALA FEMININA - essa revoada de inteligência e graça -é florão de garantia neste cenáculo em que douradas abelhas de nossa "elite" trabalham uma colméia de espiritualidade e arte." ( Dr. João Otávio Lobo)
" ALA FEMININA - flama votiva de um pensamento azul." ( Mercedes Dantas)  

"A ALA FEMININA é outra instituição que congrega a mentalidade moça feminina, criando um ambiente de reação contra a indiferença pelos estudos sociais e literários que falam de perto ao momento vivido. Talentos novos, inteligências promissoras têm surgido para a vida mental de Fortaleza, abrilhantando as páginas dos nossos periódicos.
Ao espírito animador de Henriqueta Galeno deve a nossa Capital as atividades intelectuais que se desenvolvem nos vários setores da Casa de Juvenal Galeno, cujo reflexo se estende aos demais Estados do Brasil.

Ao lado das gerações novas formam os elementos culturais representantes de nomes firmados nas letras cearenses." ( Joaquim Alves do Instituto do Ceará e da Academia Cearense de Letras)
Citações inseridas no livro. O que é a Casa de Juvenal Galeno
Gráfica Renascença -1953

                                  Francinete Azevedo







HINO DA ALA FEMININA



Letra e Música de Maryse
Weyne Cunha Arr. Francisco Jardilino Maciel
Nós somos da "ALA FEMININA",
Senhoras somos de idéias mil;
Da CASA DE JUVENAL GALENO,
Um dos maiores poetas do Brasil!
Aqui, vivemos emoções
Ditadas por nossos corações,
Em verso, em prosa excelente,
Que escrevemos a toda gente!
Aqui, será bem acolhido
Quem ama as artes, a cultura em geral,
Aqui, ninguém é preterido,
Não conta idade ou camada social,
A CASA DE JUVENAL GALENO
Abre suas portas para todos abrigar!
Venha também, grande ou pequeno, BIS
Unir-se ao nosso grupo a cantar.

Um comentário:

  1. Venho informar o falecimento de Terezinha de Jesus Lôbo Parente, pertencente a Ala Feminina Juvenal Galeno. Terezinha faleceu no dia 19 de maio de 2016. Amanhã quarta feira, dia 25 de maio de 2016, haverá a missa de sétimo dia na Igreja do Pequeno Grande às 19:30 horas e trinta minutos. Quem informa é o Prof: Marcus Vinicius Lôbo, sobrinho de Terezinha, telefone para contato 85 996702045 e 85 989580366.
    Agradeço de já pela atenção!

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